Se tem um tipo de pessoa que eu tenho absoluto pavor nesse mundo é aquela pessoa ladra de amigos.
Aquele sujeito que fica lá, na dele, até que começa a conversar com você, andar com você, sair com você e, quando você menos espera, ele rouba seu amigo.
É, na maior cara de pau assim.
Eu tive uma amiga roubada. Foi muito difícil me conformar com o roubo dela. Ela era uma boa amiga, aquela minha Amiga. Era inteligente e engraçadinha, e a mãe dela fazia os melhores pães-de-queijo do mundo inteiro! Na casa dela sempre tinha algo legal para fazer - fosse tomar banho de piscina, fosse jogar Jogo da Vida, fosse simplesmente ficar no quarto escutando música. Ahh, minha Amiga. Ela até organizou a primeira festa surpresa para mim no meu aniversário!
E enquanto isso, mal eu sabia que ela estava sendo roubada ali, na frente do meu nariz.
O caso é que eu tinha arranjado outra amiga. Não era tão legal quanto a Amiga 1, mas era uma amiga. E não me interprete mal; eu não larguei a Amiga 1 de jeito algum. Pelo contrário! Eu apresentei ela à Amiga 2! E aí foi o meu erro. Confiei cegamente na Amiga 2. Quando me dei de conta, a Amiga 2 já nem se considerava mais minha amiga e parecia grudada com Super Bonder na minha querida Amiga 1. Eu a perdi para sempre. Nunca mais tive os jogos de tabuleiro, os pães-de-queijo fofinhos, as tardes gostosas conversando sobre coisas de garotas. Minha Amiga 1 não foi roubada de mim; foi arrancada, cortada, sequestrada! E foi tão bem sequestrada, que chegou a ter aquela síndrome, em que a pessoa simpatiza com o ladrão. Nem quis saber mais de mim. Para minha dor não se prolongar por mais tempo, decidi cortar os laços que ainda nos uniam. Não respondi mais e-mails, não mandei mensagem de parabéns no aniversário dela, não a vi nunca mais.
-
O motivo por eu estar remoendo o passado (LISTA MENTAL: parar de remoer o passado) é que estou sendo roubada novamente. Outra amiga minha - cuja amizade pra mim já se tornou muito especial - está sendo roubada por uma garota mala. Qual é! Vá arranjar amigos próprios ao invés de roubar os dos outros!
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Aliás, a Amiga 1 mandou uma mensagem pra mim no meu aniversário.
Ainda não respondi.
Oh céus, esses amigos roubados.
segunda-feira, março 23, 2009
sexta-feira, março 20, 2009
18!
Engraçado chegar aos 18 anos.
Você chega aos 15 pensando "não vejo a hora de fazer 18" - e quando menos espera...PUM. Você tem 18.
Vou admitir que tô feliz. Com um friozinho na barriga, até.
Meu Deus, eu já tenho 18 anos!
-
É muito bom encontrar professores que inspirem os alunos.
Na aula de Planejamento Visual - que já se tornou uma das minhas favoritas - o professor nos fez pensar sobre cores. Hum, pensar não, sentir as cores. E pediu para que nós criássemos um blog que transmitisse bem o nosso jeito de ser.
Bom, um blog eu já tenho. Só falta o resto.
(:
Você chega aos 15 pensando "não vejo a hora de fazer 18" - e quando menos espera...PUM. Você tem 18.
Vou admitir que tô feliz. Com um friozinho na barriga, até.
Meu Deus, eu já tenho 18 anos!
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É muito bom encontrar professores que inspirem os alunos.
Na aula de Planejamento Visual - que já se tornou uma das minhas favoritas - o professor nos fez pensar sobre cores. Hum, pensar não, sentir as cores. E pediu para que nós criássemos um blog que transmitisse bem o nosso jeito de ser.
Bom, um blog eu já tenho. Só falta o resto.
(:
quarta-feira, janeiro 28, 2009
Post giganteeee!
Eis o caso: estou apaixonada.
Porém, como o amor nunca é simples, acabei me apaixonando “duplamente”.
É, meu pobre coração está dividido em dois.
.
.
.
Posso dizer que um grego e um britânico são responsáveis por essa confusão.
Em outras palavras, me apaixonei por Mamma Mia! e A duquesa, respectivamente.
Sim, são filmes, dã. Pensou que era o quê?
Não, mas é sério. Eu simplesmente A-M-E-I esses filmes. Os dois não tem nada a ver um com o outro – tirando o fato de nos dois, um dos coadjuvantes homens ser o mesmo ator: o quente Dominic Cooper. Enfim, como esse blog carece um pouco de cultura, vou falar dos meus amores.
Mamma mia! é lindo. Se você quiser saber sobre a história, tem milhares de sites de cinema com a sinopse, deixe de ser preguiçoso. Eu quero é falar dos atores, das músicas, da atmosfera alegre do filme – que, aliás, foi filmado em uma ilha da Grécia.
A escolha dos atores, na minha opinião, não poderia ter sido melhor. Meryl Streep, mesmo com 60 anos, faz o papel de uma mãe (Donna) de 40 anos – e convence. Amanda Seyfried (a filha da Meryl no filme, Sophie) é absolutamente encantadora e tem uma voz linda que combinou perfeitamente com o filme – já que o objetivo era escolher atores que não cantassem profissionalmente, mas que cantassem bem. O trio de ‘possíveis pais’ de Sophie é hilariante: os três atores (Pierce Brosnan, Colin Firth e Stelan shwhyfyhabouufehfe) tem uma química ótima (ao meu ver) e ficam super engraçados juntos.
Mas o que eu realmente adoro no filme não é somente a escolha de excelentes atores; quem protagoniza realmente o filme são as músicas do quarteto sueco ABBA. Sempre achei Dancing Queen sãper brega, daquelas músicas antigas que você só dança (e ouve) em festas. Só que vendo como as músicas se encaixam com o filme, você percebe que são canções com sentido, com letra, com sentimento – algo que é muito raro hj em dia. Aí quando você menos espera, PUM, fica apaixonado. As músicas são apaixonantes, os atores são apaixonantes, os cenários são apaixonantes. O difícil é conseguir olhar o filme no cinema sem sentir vontade de pular na poltrona dançando.
Ok, Georgiana não fez grandes caridades para o povo, é verdade. Mas a história não é clichê como em Maria Antonieta ou...sei lá, em outros filmes de princesas. Georgiana não era convencida, era atual. Era um ícone da moda para as pessoas da época, era educada, era linda, era envolvida com política, era inteligente, era simpática, era uma verdadeira nobre. Acreditava realmente que um mundo diferente e mais justo poderia ser construído – isso muito se deve à influencia do amante dela, Charles Grey, que posteriormente virou o Primeiro Ministro da Inglaterra. Ah é! Esqueci de dizer que o filme é baseado em uma história real *falando com voz de narrador de trailers*
Esse filme faz chorar, já vou avisando. Juro que eu mesma não quis chorar. Mas era uma pancada atrás da outra na vida da pobre duquesa que eu não agüentei. Chorei no cinema. Chorei, solucei, esfreguei os olhos. Fiquei revoltada com o modo como o marido e a mãe de Georgiana a mantinham submissa às regras da sociedade. Tudo o que ela queria era vivenciar o amor verdadeiro, poxa! Deixem a moça viver em paz com seus filhos! *começa a soluçar de novo*
Resumindo, é difícil dizer por qual filme eu me apaixonei mais. Um é pura alegria e o outro te faz chorar as mágoas até não poder mais. Se alguém quiser me ajudar e/ou se apaixonar também, assistam aos dois e me comuniquem depois (:
Porém, como o amor nunca é simples, acabei me apaixonando “duplamente”.
É, meu pobre coração está dividido em dois.
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Posso dizer que um grego e um britânico são responsáveis por essa confusão.
Em outras palavras, me apaixonei por Mamma Mia! e A duquesa, respectivamente.
Sim, são filmes, dã. Pensou que era o quê?
Não, mas é sério. Eu simplesmente A-M-E-I esses filmes. Os dois não tem nada a ver um com o outro – tirando o fato de nos dois, um dos coadjuvantes homens ser o mesmo ator: o quente Dominic Cooper. Enfim, como esse blog carece um pouco de cultura, vou falar dos meus amores.
Mamma mia! é lindo. Se você quiser saber sobre a história, tem milhares de sites de cinema com a sinopse, deixe de ser preguiçoso. Eu quero é falar dos atores, das músicas, da atmosfera alegre do filme – que, aliás, foi filmado em uma ilha da Grécia.
A escolha dos atores, na minha opinião, não poderia ter sido melhor. Meryl Streep, mesmo com 60 anos, faz o papel de uma mãe (Donna) de 40 anos – e convence. Amanda Seyfried (a filha da Meryl no filme, Sophie) é absolutamente encantadora e tem uma voz linda que combinou perfeitamente com o filme – já que o objetivo era escolher atores que não cantassem profissionalmente, mas que cantassem bem. O trio de ‘possíveis pais’ de Sophie é hilariante: os três atores (Pierce Brosnan, Colin Firth e Stelan shwhyfyhabouufehfe) tem uma química ótima (ao meu ver) e ficam super engraçados juntos.
Mas o que eu realmente adoro no filme não é somente a escolha de excelentes atores; quem protagoniza realmente o filme são as músicas do quarteto sueco ABBA. Sempre achei Dancing Queen sãper brega, daquelas músicas antigas que você só dança (e ouve) em festas. Só que vendo como as músicas se encaixam com o filme, você percebe que são canções com sentido, com letra, com sentimento – algo que é muito raro hj em dia. Aí quando você menos espera, PUM, fica apaixonado. As músicas são apaixonantes, os atores são apaixonantes, os cenários são apaixonantes. O difícil é conseguir olhar o filme no cinema sem sentir vontade de pular na poltrona dançando.---------
Mudando de rota, bem quando eu estava no ápice de minha paixão por Mamma Mia!, com todas as músicas decoradas e assistindo ao dvd milhares de vezes em casa, eis que me aparece Ela. A Duquesa de Devonshire. Georgiana Cavendish, interpretada pela adorável Keira Knightley. Ó Deus, que filme incrível! Fazia tempo que um filme não me tocava tão fundo. E isso que eu entrei na sala preparada para ver mais uma história de uma nobre da Inglaterra que não dava bola para o povo e que só pensava em comprar vestidos.
Ok, Georgiana não fez grandes caridades para o povo, é verdade. Mas a história não é clichê como em Maria Antonieta ou...sei lá, em outros filmes de princesas. Georgiana não era convencida, era atual. Era um ícone da moda para as pessoas da época, era educada, era linda, era envolvida com política, era inteligente, era simpática, era uma verdadeira nobre. Acreditava realmente que um mundo diferente e mais justo poderia ser construído – isso muito se deve à influencia do amante dela, Charles Grey, que posteriormente virou o Primeiro Ministro da Inglaterra. Ah é! Esqueci de dizer que o filme é baseado em uma história real *falando com voz de narrador de trailers*
Esse filme faz chorar, já vou avisando. Juro que eu mesma não quis chorar. Mas era uma pancada atrás da outra na vida da pobre duquesa que eu não agüentei. Chorei no cinema. Chorei, solucei, esfreguei os olhos. Fiquei revoltada com o modo como o marido e a mãe de Georgiana a mantinham submissa às regras da sociedade. Tudo o que ela queria era vivenciar o amor verdadeiro, poxa! Deixem a moça viver em paz com seus filhos! *começa a soluçar de novo*Resumindo, é difícil dizer por qual filme eu me apaixonei mais. Um é pura alegria e o outro te faz chorar as mágoas até não poder mais. Se alguém quiser me ajudar e/ou se apaixonar também, assistam aos dois e me comuniquem depois (:
segunda-feira, janeiro 19, 2009
O modo como uma pessoa dirige fala muito sobre ela.
-Se você afoga o veículo logo que o liga, significa que você não está seguro de si e que realmente não deveria ter comprado a carteira.
-Se você não dá pisca quando dobra em uma rua, significa que você é teimoso, tem baixa auto-estima e que não sente amor pelas outras pessoas.
-Se você passa o sinal vermelho pensando “ah eu dou uma corridinha e ninguém vai ver”, significa que você é uma pessoa corajosa e arrojada, mas com sérios problemas de ignorância (porque somente um ignorante para não dar atenção às milhares de propagandas na televisão apelando para que ninguém ultrapasse o sinal vermelho).
-Se você fuma enquanto dirige, significa que você não tem medo que a morte te leve por a) câncer de pulmão, b) por acidente de carro ou c) todas as alternativas anteriores.
-Se você dirige segurando o volante com as duas mãos, significa que você gosta de segurança.
-Se você dirige segurando o volante com somente uma mão, significa que você é versátil e que gosta de “limpar o salão” com a outra.
-Se você dirige escutando música alta com todas as janelas do carro abertas, significa que você deve ser insuportável também na praia, ficando com o carro na areia causando uma poluição sonora do car****.
E, por fim...
Se você dirige escutando Katy Perry ou toda a trilha sonora do filme Mamma Mia!, significa que você tem um ótimo gosto musical.
:D
AVISO IMPORTANTE: neste blog, o novo acordo ortográfico não tem poder nenhum! Eu que mando aqui!
-Se você não dá pisca quando dobra em uma rua, significa que você é teimoso, tem baixa auto-estima e que não sente amor pelas outras pessoas.
-Se você passa o sinal vermelho pensando “ah eu dou uma corridinha e ninguém vai ver”, significa que você é uma pessoa corajosa e arrojada, mas com sérios problemas de ignorância (porque somente um ignorante para não dar atenção às milhares de propagandas na televisão apelando para que ninguém ultrapasse o sinal vermelho).
-Se você fuma enquanto dirige, significa que você não tem medo que a morte te leve por a) câncer de pulmão, b) por acidente de carro ou c) todas as alternativas anteriores.
-Se você dirige segurando o volante com as duas mãos, significa que você gosta de segurança.
-Se você dirige segurando o volante com somente uma mão, significa que você é versátil e que gosta de “limpar o salão” com a outra.
-Se você dirige escutando música alta com todas as janelas do carro abertas, significa que você deve ser insuportável também na praia, ficando com o carro na areia causando uma poluição sonora do car****.
E, por fim...
Se você dirige escutando Katy Perry ou toda a trilha sonora do filme Mamma Mia!, significa que você tem um ótimo gosto musical.
:D
AVISO IMPORTANTE: neste blog, o novo acordo ortográfico não tem poder nenhum! Eu que mando aqui!
domingo, janeiro 11, 2009
A dor e a lição de vida no livro “Ensaio sobre a cegueira”
(Resenha feita para a cadeira de Com. em Lingua Portuguesa I)
Enquanto eu percorria com os olhos as barraquinhas da feira do livro de Porto Alegre este ano, percebi que havia chegado a hora de amadurecer. Minhas mãos já seguravam o último livro da série “O diário da princesa”, de Meg Cabot, quando meus olhos se fixaram em um livro de nome “Ensaio sobre a Cegueira”. Eu soube na hora que deveria levar comigo para casa muito mais do que a história de uma menina adolescente enfrentando os “perigos” da escola; precisava levar um livro que falasse de vida, que me fizesse pensar, um livro que contasse coisas que eu jamais imaginaria ler.
Comprei o livro do Saramago e comecei a lê-lo assim que cheguei em casa. Já havia ouvido sobre o filme baseado no “Ensaio sobre a Cegueira”, mas não tinha coragem de ir assisti-lo por causa dos comentários que rolavam por aí. “É um filme extremamente forte e desagradável”; “Senti náuseas na cena do estupro coletivo”; “O diretor teve que cortar várias cenas para o filme não ficar extremamente chocante”. Mas digo a você, leitor, e a quem mais me perguntar, que esse livro realmente abriu meus olhos (sem uso intencional de trocadilhos).
A história conta sobre uma epidemia de cegueira “branca” (assim chamada devido ao fato de as pessoas, quando cegavam, enxergarem tudo envolto por uma luz branca, como se estivessem mergulhadas em um mar de leite) que se alastrou por uma cidade – não uma cidade fantasiosa, mas, sim, uma cidade que assusta pela proximidade com a nossa realidade. O surto de cegueira começa atingindo poucas pessoas, que são postas em quarentena em um manicômio desativado. Porém, em pouco o tempo a situação se torna insustentável: o número de vítimas da cegueira só aumenta (o que acaba superlotando o manicômio), o abastecimento para os cegos em quarentena se torna precário e as brigas por comida e poder não tardam a acontecer. E assim o livro vai torturando o leitor, fazendo com que ele se sinta desconfortável como se estivesse junto com aquelas pessoas que nem sequer enxergam como suas vidas vão desabando. Isso é uma característica maravilhosa da narrativa de Saramago; ele faz com que o leitor se sinta cego. Na verdade, é muito mais do que isso: faz com que ele tenha medo de perder o rumo, medo de admitir que, se uma epidemia de cegueira ocorresse de verdade, talvez não houvesse realmente esperança de a humanidade continuar vivendo de modo racional.
O próprio Saramago disse que “Ensaio sobre a cegueira” é um livro brutal e violento com o qual ele quer que o leitor sofra tanto quanto ele ao escrever a história. Em suas próprias palavras, ele diz: “São 300 páginas de constante aflição. Através da escrita, tentei dizer que não somos bons e que é preciso que tenhamos coragem para reconhecer isso." De fato, o autor se mostra muito pessimista quanto à humanidade. Isso se percebe pelas situações que ele cria se baseando nos tristes fatos do mundo real - soldados disparam contra os cegos sem razões graves (o que lembra, em especial aos brasileiros, dos policiais que atiram contra garotos favelados no Rio de Janeiro sem nenhuma explicação), muitos cegos são extremamente egoístas (aí aparece o famoso ditado “cada um por si” que caracteriza nossa sociedade capitalista) e as medidas adotadas pelo governo insensível com o povo que terminam por ser inúteis e catastróficas (há algo mais real do que o cinismo político?) – e por desumanizar, quase que por completo, as personagens – ninguém tem nome, todos são chamados pelo autor por coisas que os definem (“a mulher do médico”, “a rapariga dos óculos escuros”, “o velho da venda preta”).Acaba-se concluindo que as pessoas se tornam aquilo que realmente são quando não podem julgar a partir do que vêem.
Não terminei o livro ainda e também não quero me alongar muito sobre a história, mas posso dizer que talvez – meu coração pelo menos quer acreditar que há um “talvez” no livro – haja esperança, porque a mulher do médico é a única da história que ainda não cegou. Em uma passagem do livro, ela até mesmo pensa que desejaria ficar cega, para não ter que ver e registrar todo o horror da situação na qual os cegos se encontram – afinal, para que ter olhos se não se pode fazer nada para mudar algo? De certa forma, para aumentar o desespero, José Saramago torna a mulher do médico tão cega quanto os outros. Aliás, como eu havia dito antes, esse livro me abriu os olhos. Abriu meus olhos para fatos que ocorrem no nosso dia-a-dia e que não damos a mínima, como o simples ato de enxergar, de saber como é o sorriso das pessoas queridas por nós. Abriu meus olhos para a “cegueira proposital” da qual a humanidade sofre, sempre fechando os olhos e cruzando os braços diante de situações em que os outros precisam de nós, como crianças abandonadas nas ruas sem ninguém para lhes dar auxílio. Abriu meus olhos para entender que a vida realmente não é fácil e nem justa com todos – mas que ninguém escapa de ter suas próprias deficiências. Para quem ainda não leu o livro, deixo o recado: você não sabe a lição de vida que está perdendo.
Enquanto eu percorria com os olhos as barraquinhas da feira do livro de Porto Alegre este ano, percebi que havia chegado a hora de amadurecer. Minhas mãos já seguravam o último livro da série “O diário da princesa”, de Meg Cabot, quando meus olhos se fixaram em um livro de nome “Ensaio sobre a Cegueira”. Eu soube na hora que deveria levar comigo para casa muito mais do que a história de uma menina adolescente enfrentando os “perigos” da escola; precisava levar um livro que falasse de vida, que me fizesse pensar, um livro que contasse coisas que eu jamais imaginaria ler.
Comprei o livro do Saramago e comecei a lê-lo assim que cheguei em casa. Já havia ouvido sobre o filme baseado no “Ensaio sobre a Cegueira”, mas não tinha coragem de ir assisti-lo por causa dos comentários que rolavam por aí. “É um filme extremamente forte e desagradável”; “Senti náuseas na cena do estupro coletivo”; “O diretor teve que cortar várias cenas para o filme não ficar extremamente chocante”. Mas digo a você, leitor, e a quem mais me perguntar, que esse livro realmente abriu meus olhos (sem uso intencional de trocadilhos).
A história conta sobre uma epidemia de cegueira “branca” (assim chamada devido ao fato de as pessoas, quando cegavam, enxergarem tudo envolto por uma luz branca, como se estivessem mergulhadas em um mar de leite) que se alastrou por uma cidade – não uma cidade fantasiosa, mas, sim, uma cidade que assusta pela proximidade com a nossa realidade. O surto de cegueira começa atingindo poucas pessoas, que são postas em quarentena em um manicômio desativado. Porém, em pouco o tempo a situação se torna insustentável: o número de vítimas da cegueira só aumenta (o que acaba superlotando o manicômio), o abastecimento para os cegos em quarentena se torna precário e as brigas por comida e poder não tardam a acontecer. E assim o livro vai torturando o leitor, fazendo com que ele se sinta desconfortável como se estivesse junto com aquelas pessoas que nem sequer enxergam como suas vidas vão desabando. Isso é uma característica maravilhosa da narrativa de Saramago; ele faz com que o leitor se sinta cego. Na verdade, é muito mais do que isso: faz com que ele tenha medo de perder o rumo, medo de admitir que, se uma epidemia de cegueira ocorresse de verdade, talvez não houvesse realmente esperança de a humanidade continuar vivendo de modo racional.
O próprio Saramago disse que “Ensaio sobre a cegueira” é um livro brutal e violento com o qual ele quer que o leitor sofra tanto quanto ele ao escrever a história. Em suas próprias palavras, ele diz: “São 300 páginas de constante aflição. Através da escrita, tentei dizer que não somos bons e que é preciso que tenhamos coragem para reconhecer isso." De fato, o autor se mostra muito pessimista quanto à humanidade. Isso se percebe pelas situações que ele cria se baseando nos tristes fatos do mundo real - soldados disparam contra os cegos sem razões graves (o que lembra, em especial aos brasileiros, dos policiais que atiram contra garotos favelados no Rio de Janeiro sem nenhuma explicação), muitos cegos são extremamente egoístas (aí aparece o famoso ditado “cada um por si” que caracteriza nossa sociedade capitalista) e as medidas adotadas pelo governo insensível com o povo que terminam por ser inúteis e catastróficas (há algo mais real do que o cinismo político?) – e por desumanizar, quase que por completo, as personagens – ninguém tem nome, todos são chamados pelo autor por coisas que os definem (“a mulher do médico”, “a rapariga dos óculos escuros”, “o velho da venda preta”).Acaba-se concluindo que as pessoas se tornam aquilo que realmente são quando não podem julgar a partir do que vêem.
Não terminei o livro ainda e também não quero me alongar muito sobre a história, mas posso dizer que talvez – meu coração pelo menos quer acreditar que há um “talvez” no livro – haja esperança, porque a mulher do médico é a única da história que ainda não cegou. Em uma passagem do livro, ela até mesmo pensa que desejaria ficar cega, para não ter que ver e registrar todo o horror da situação na qual os cegos se encontram – afinal, para que ter olhos se não se pode fazer nada para mudar algo? De certa forma, para aumentar o desespero, José Saramago torna a mulher do médico tão cega quanto os outros. Aliás, como eu havia dito antes, esse livro me abriu os olhos. Abriu meus olhos para fatos que ocorrem no nosso dia-a-dia e que não damos a mínima, como o simples ato de enxergar, de saber como é o sorriso das pessoas queridas por nós. Abriu meus olhos para a “cegueira proposital” da qual a humanidade sofre, sempre fechando os olhos e cruzando os braços diante de situações em que os outros precisam de nós, como crianças abandonadas nas ruas sem ninguém para lhes dar auxílio. Abriu meus olhos para entender que a vida realmente não é fácil e nem justa com todos – mas que ninguém escapa de ter suas próprias deficiências. Para quem ainda não leu o livro, deixo o recado: você não sabe a lição de vida que está perdendo.
terça-feira, dezembro 23, 2008
Lista de Porquê Ser Um Adulto É Chato
1º) Ter que pagar as coisas com o seu próprio dinheiro;
2º) Ter crise ao chegar aos 30, aos 40, aos 50 e aos 60 anos;
3º) Quando um pneu do carro furar em plena BR no calor do verão, VOCÊ que vai ter que lidar com a incomodação enquanto seus filhos ficam escutando rádio dentro do carro com o ar ligado;
4º) Na formatura do seu filho, na qual você vai gastar milhões $$$, a banda que começará a festa vai tocar músicas de 30 anos antes de você nascer como se fossem "músicas do seu tempo", além de falar em alto e bom som no microfone coisas do tipo "pessoal, vamos deixar os pais aproveitaremUM POUCO antes de tocar as músicas atuais e não-cafonas";
5º) Nada de moleza depois dos churrascos na casa dos parentes: VOCÊ vai ter q levar a salada de maionese e ajudar a servir e tirar a mesa, além de lavar a louça, enquanto as crianças brincam;
E...por último:
6º) Todos vão olhar para aquela sua tatuagem enorme nas costas que você fez quando tinha 20 anos e pensar, com cara de melancolia: "tem gente que não sabe envelhecer mesmo".
2º) Ter crise ao chegar aos 30, aos 40, aos 50 e aos 60 anos;
3º) Quando um pneu do carro furar em plena BR no calor do verão, VOCÊ que vai ter que lidar com a incomodação enquanto seus filhos ficam escutando rádio dentro do carro com o ar ligado;
4º) Na formatura do seu filho, na qual você vai gastar milhões $$$, a banda que começará a festa vai tocar músicas de 30 anos antes de você nascer como se fossem "músicas do seu tempo", além de falar em alto e bom som no microfone coisas do tipo "pessoal, vamos deixar os pais aproveitaremUM POUCO antes de tocar as músicas atuais e não-cafonas";
5º) Nada de moleza depois dos churrascos na casa dos parentes: VOCÊ vai ter q levar a salada de maionese e ajudar a servir e tirar a mesa, além de lavar a louça, enquanto as crianças brincam;
E...por último:
6º) Todos vão olhar para aquela sua tatuagem enorme nas costas que você fez quando tinha 20 anos e pensar, com cara de melancolia: "tem gente que não sabe envelhecer mesmo".
domingo, dezembro 14, 2008
Saudade
Não, nada de sentimentalismos.
E que venha o próximo semestre!!!
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